v. 2 n. 4 (2024): COSMOLOGIAS DO MÚLTIPLO E FORMAS DE VIDA ANTICOLONIAIS

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DOI: https://doi.org/10.29327/2128853.2.4

 

A ideia de cosmologias do múltiplo, que dá título ao evento e à revista, nos força a problematizar as noções de unidade, universalidade, e identidade, e, em certa medida, a colocar em perspectiva todo um modo hegemônico de filosofar que podemos caracterizar como herdeiro de uma cosmovisão ocidental. No entanto, essa problematização, devido a sua força libertária, deve ir muito além de um simples relativismo ingênuo, que ainda estaria demasiadamente atrelado aos pressupostos do pensamento ocidental. A simples concepção de um mundo relativizado por meio de um conglomerado de indivíduos atomizados, ou seja, um cosmo diversificado a partir uma simples soma de representações subjetivas, torna-se uma proposta simplista diante de todo um conjunto de poderosas e singulares expressões de pensamento que vemos, agora mais do que nunca, surgir com suas problematizações anti/contra/pós/coloniais. Assim, novas formas de vida ganham expressão, processos libertários e abolicionistas ganham voz e visibilidade, ontologias alternativas não podem mais ser negligenciadas, e corpos rebeldes ainda não estereotipados ou capturados são produzidos. Em suma, estamos diante de um conjunto de complexidades que permite abordar modos múltiplos de ser, pensar e agir, colocando de lado todo pensamento que se contentaria com uma representação unitária e reconhecido como propriedade de um espírito racional, centralizador e universal; ou seja, uma filosofia que seria apenas a projeção da forma-Estado e de suas outras máscaras: indivíduo, homem, hetero, adulto, ocidental. Os artigos produzidos neste número emergem desse espírito de resistência e ruptura.
Publicado: 2024-12-11

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