Edições anteriores

  • O FIM DO MUNDO QUE JÁ TINHA ACABADO
    v. 1 n. 1 (2022)

    ISSN: 2965-0305
    D.O.I: https://doi.org/10.29327/2128853.1.1

    Nosso primeiro número tem como tema geral o fim do mundo que já tinha acabado.
    Entendemos que, nas últimas décadas, o modo de vida ocidental, tomado como inevitável e universal, tem se mostrado de maneira cada vez mais evidente não apenas como miserável, mas também como conduzindo a um inevitável limite. A proposta desta publicação é comportar reflexões que possam não apenas compreender o que está envolvido nesta falência atual, como também apontar para outros modos de vida possíveis. O fim do mundo que já tinha acabado aponta assim para uma maneira de abordar o presente – com suas emergências; pandemias; exceções e catástrofes – que possa ser afirmada como para além dos limites.

  • ONTOLOGIAS LIBERTÁRIAS, ANTIFASCISMOS E CONTRASSEXUALIDADES
    v. 1 n. 2 (2023)

    ISSN: 2965-0305
    D.O.I: https://doi.org/10.29327/2128853.1.1

    A Revista Tapuia segue a traçar novas rotas, a abrir novas frestas na selva monológica da civilização ocidental. Nesta segunda edição, as picadas percorrem Ontologias libertárias, antifascismos e contrassexualidades. Textos-frestas que possibilitam pensar as diferenças, e atuar contra esse mundo hostil, castrado em sua heteronormatividade patriarcal, burguesa, ariana encardida. Mundo do Povo da mercadoria, de mentalidades consumidas pela sanha incessante de ganhar, lucrar, acumular, dominar, matar. Consumir vidas - as que forem preciso. E Viva lucro e mais-valia!. Tudo na maior democracia. Harmonia em toda parte. Contra essa máquina colono-capitalista de moer gentes, legalmente, resta-nos uma resistência disruptiva capaz de alterar as relações de força ao nível da microfísica. Uma luta nos moldes daquelas que nos legaram como herança as gentes Tapuia.

  • ALDEIAS REXISTEM
    v. 2 n. 3 (2024)

    ISSN: 2965-0305

    A Revista Tapuia segue organizando-se como um espaço de divulgação e construção de filosofias contracoloniais e libertárias. Neste momento, em que estamos realizando na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) nosso primeiro encontro de auto-formação, lançamos nosso terceiro número, ao mesmo tempo que a Universidade Pluriétnica Indígena Aldeia Maracanã sofre mais uma ameaça da remoção pelo estado. Dedicamos esta publicação à luta da aldeia, que segue sendo em ato uma outra forma de vida em meio à urbanidade tóxica. Nestes quase 20 anos de re-existência, a aldeia tem não apenas atuado como laboratório de resistências, mas tem produzido e difundido saberes ancestrais dos povos originários, com cursos de línguas; oficinas de artes indígena; rodas de conversa sobre matriarcado ancestral; medicinas da floresta; contações de histórias; okanomias; indigenizações; etc..., constituindo exemplos e práticas contracoloniais em maneiras deadiar o fim do mundo. A aldeia é devir indígenana cidade, criando condições de autonomia e devires-outros,quebrando o asfalto, destituindo estruturas, estabelecendo outras temporalidades, retomando ancestralidades. Nossa publicação manifesta aqui apoio incondicional à Aldeia Maracanã, tudo que ela inspira e à sua cosmovisão, que acreditamos também difundir por meio dos artigos aqui publicados.

  • COSMOLOGIAS DO MÚLTIPLO E FORMAS DE VIDA ANTICOLONIAIS
    v. 2 n. 4 (2024)

    DOI: https://doi.org/10.29327/2128853.2.4

     

    A ideia de cosmologias do múltiplo, que dá título ao evento e à revista, nos força a problematizar as noções de unidade, universalidade, e identidade, e, em certa medida, a colocar em perspectiva todo um modo hegemônico de filosofar que podemos caracterizar como herdeiro de uma cosmovisão ocidental. No entanto, essa problematização, devido a sua força libertária, deve ir muito além de um simples relativismo ingênuo, que ainda estaria demasiadamente atrelado aos pressupostos do pensamento ocidental. A simples concepção de um mundo relativizado por meio de um conglomerado de indivíduos atomizados, ou seja, um cosmo diversificado a partir uma simples soma de representações subjetivas, torna-se uma proposta simplista diante de todo um conjunto de poderosas e singulares expressões de pensamento que vemos, agora mais do que nunca, surgir com suas problematizações anti/contra/pós/coloniais. Assim, novas formas de vida ganham expressão, processos libertários e abolicionistas ganham voz e visibilidade, ontologias alternativas não podem mais ser negligenciadas, e corpos rebeldes ainda não estereotipados ou capturados são produzidos. Em suma, estamos diante de um conjunto de complexidades que permite abordar modos múltiplos de ser, pensar e agir, colocando de lado todo pensamento que se contentaria com uma representação unitária e reconhecido como propriedade de um espírito racional, centralizador e universal; ou seja, uma filosofia que seria apenas a projeção da forma-Estado e de suas outras máscaras: indivíduo, homem, hetero, adulto, ocidental. Os artigos produzidos neste número emergem desse espírito de resistência e ruptura.
  • VIOLÊNCIAS E AUTODEFESAS
    v. 3 n. 5 (2025)

    ISSN: 2965-0305

     

    Cada vez mais ouvimos falar de mortes de jovens negros e moradores de periferia, resultado da violência promovida pela atuação da força policial nas comunidades brasileiras. Assim como o aumento da violência heterocispatriarcal, mencionando as violências de gênero, feminicídios e toda violência contra corpos dissidentes -toda violência de caráter interseccional. Essa situação não pode ser isolada da história do Brasil e de suas relações coloniais e do colonialismo continuado com as grandes potências europeias. Ao mesmo tempo, está enraizada em um projeto filosófico iluminista que privilegia o homem branco, europeu e de sexo masculino. Isso nos leva à temática da violência de Estado e, quem sabe, à sua tendência ao extermínio de toda alteridade - seja física, cultural ou filosófica.

  • VIOLÊNCIAS E AUTODEFESAS II
    v. 3 n. 6 (2025)

    ISSN: 2965-0305

     

    Dois meses após a maior chacina policial da história do país, pelo menos registrada em números oficiais, comandada pelo governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, nas comunidades Vila Cruzeiro e Alemão, a Revista Tapuia não pode lançar seu sexto número, cujo tema é ainda ‘Violência e Autodefesas’, sem manifestar repulsa pela política de morte racista que se agrava em nossos territórios, e sem expressar profunda solidariedade com as famílias enlutadas. Lembramos sempre que ‘solidariedade’ não pode ser só uma palavra. Esta não é uma publicação neutra, tentamos dar voz aos discursos dissidentes, ao que não é dito pois segue encoberto pelo monopólio da violência do discurso dominante; buscamos criar memória e construir novos sentidos, pois acreditamos na ressignificação como autodefesa. Falar em vidas vivíveis é falar em autodefesa. É compreender também que a violência simbólica; no âmbito do sentido linguístico, não se separa rigidamente da violência física, concreta, do mesmo modo que a cultura nãose separa da natureza. Olhar assim já é uma mudança de perspectiva. Por isso também não estamos aqui clamando por representatividade, estamos do lado dos irrepresentáveis, dos que não negociam, pois sabemos que transformando pessoas em valor de troca, o capital só se reproduz. Ao lado, sempre, de uma montanha de corpos bem concretos. É tomando lado nesta guerra que os discursos aqui reunidos precisam ser considerados.

  • APOIO MÚTUO E RESISTÊNCIAS DE MULHERES E PESSOAS DISSIDENTES NA ABYA YALA
    v. 4 n. 7 (2026)

    A Revista Tapuia defende uma perspectiva interseccional, contracolonial, antipatriarcal, solidária e de resistência. Refere-se, não apenas a um instrumental metodológico, mas de um posicionamento ético para sinalizar, por meio dos textos contidos neste volume, como é possível lutar contra o inimigo imediato − seja ele o patriarcado, o governo do Estado, o capital neoliberal, o autoritarismo e a colonialidade das condutas. Sendo assim, como ponto de partida, adotamos a designação Abya Yala1 − que significa terra madura, viva ou em florescimento – em vez de América Latina para nos afastarmos de seu legado colonial, racista e hierarquizante.