v. 3 n. 6 (2025): VIOLÊNCIAS E AUTODEFESAS II
ISSN: 2965-0305
Dois meses após a maior chacina policial da história do país, pelo menos registrada em números oficiais, comandada pelo governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, nas comunidades Vila Cruzeiro e Alemão, a Revista Tapuia não pode lançar seu sexto número, cujo tema é ainda ‘Violência e Autodefesas’, sem manifestar repulsa pela política de morte racista que se agrava em nossos territórios, e sem expressar profunda solidariedade com as famílias enlutadas. Lembramos sempre que ‘solidariedade’ não pode ser só uma palavra. Esta não é uma publicação neutra, tentamos dar voz aos discursos dissidentes, ao que não é dito pois segue encoberto pelo monopólio da violência do discurso dominante; buscamos criar memória e construir novos sentidos, pois acreditamos na ressignificação como autodefesa. Falar em vidas vivíveis é falar em autodefesa. É compreender também que a violência simbólica; no âmbito do sentido linguístico, não se separa rigidamente da violência física, concreta, do mesmo modo que a cultura nãose separa da natureza. Olhar assim já é uma mudança de perspectiva. Por isso também não estamos aqui clamando por representatividade, estamos do lado dos irrepresentáveis, dos que não negociam, pois sabemos que transformando pessoas em valor de troca, o capital só se reproduz. Ao lado, sempre, de uma montanha de corpos bem concretos. É tomando lado nesta guerra que os discursos aqui reunidos precisam ser considerados.