O CRUZAMENTO COLONIAL

UMA ANÁLISE DA CONEXÃO ENTRE AS OPRESSÕES DE RAÇA, CLASSE, GÊNERO E SEXUALIDADE SOBRE O CORPO DISSIDENTE

Autores

  • Brune Herculane UERJ-PPCIS

Palavras-chave:

violência, Transfobia, Racismo, Política

Resumo

Foi construído um ensaio cuja metodologia é uma análise teórica interseccional que busca conectar alguns dos diferentes episódios, antigos e contemporâneos, da história. Não busquei invisibilizar as diferenças entre os fenômenos, as quais são nítidas, mas sim entender como o processo colonial - que não está somente no passado -, além de racista, também é um processo LGBTIfóbico e misógino, e como os principais agentes que põem a opressão em prática são parecidos ou, às vezes, os mesmos. Dessa maneira, na primeira parte do trabalho, fiz uma análise crítica de uma imagem retirada do documentário Auto de Resistência (2018) a partir das contribuições de Fanon (1968 [1961]). Na segunda parte, trouxe o caso público de transfobia institucional contra Érika Dakota. E, por fim, disserto sobre as “rachaduras” que as violências produzem. A crítica às abordagens policiais foram os meus principais interesses na criação desse estudo, elas perpassam todas as seções do texto. Nesse sentido, recorri a diferentes intelectuais, com foco em Fanon e abordagens anti-coloniais, para produzir essa ponte que não só conecta os opressores, como também as vítimas/sobreviventes das violências.

Palavras-chave:  Violência; Transfobia; Racismo; Polícia.

Resumen

Se construyó un ensayo cuya metodología es un análisis teórico interseccional que busca conectar algunos de los diferentes episodios, antiguos y contemporáneos, de la historia. No busqué invisibilizar las diferencias entre los fenómenos, que son claras, sino entender cómo el proceso colonial -que no es sólo del pasado-, además de racista, es también un proceso LGBTIfóbico y misógino, y cómo los principales agentes que ponen en práctica la opresión son similares o, a veces, los mismos. Así, en la primera parte del trabajo, realicé un análisis crítico de una imagen extraída del documental Auto de Resistência (2018) a partir de los aportes de Fanon (1968 [1961]). En la segunda parte, planteé el caso público de transfobia institucional contra Érika Dakota. Y por último hablo de las “grietas” que produce la violencia. La crítica de los enfoques policiales fue mi principal interés al crear este estudio y permea todas las secciones del texto. En este sentido, recurrí a distintos intelectuales, centrándome en Fanon y en enfoques anticoloniales, para producir este puente que no sólo conecta a los opresores, sino también a las víctimas/sobrevivientes de la violencia.

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Publicado

2025-12-30

Edição

Seção

Violências e autodefesas