VEREDAS MIGRATÓRIAS SUL-SUL

UMA CARTOGRAFIA COMBATIVA DE MULHERES E DISSIDENTES

Autores

  • Adriana Martinez

Palavras-chave:

Migrações Sul-Sul, Fronteiras, Resistências, Violência de Estado

Resumo

Este texto analisa as migrações Sul-Sul, focando nos empecilhos burocráticos e culturais enfrentados durante o percurso e no destino. Demostra-se que as fronteiras, para além de limites geopolíticos, são dispositivos de poder que regulam territórios, corpos e recursos, materializando racismo e xenofobia. Essa racionalidade é efeito da prática de governar neoliberal, que sob a égide universal dos direitos humanos e da democracia liberal, perpetuou um modelo colonialista e excludente baseado no homem adulto, branco, heterossexual e qualificado bem-sucedido nos padrões capitalistas. O objetivo central é situar a crítica a essa noção colonial de universalidade a partir das margens, destacando como mulheres e dissidentes migrantes subvertem os modelos heteropatriarcais, capitalistas e coloniais. Metodologicamente, utiliza-se a arqueogenealogia foucaultiana para apresentar a produção histórica das verdades que sustentam os fluxos de controle e a maneira pela qual se conduz, na contemporaneidade, a própria conduta e a dos outros −  conceito definido por Michel Foucault, como governamentalidade. Simultaneamente, o estudo atualiza a concepção de fronteira, apresentando-a enquanto uma modificação dinâmica e um espaço onde, por um lado, manifestam-se violências e criminalização seletiva, e por outro, emergem lugares de reinvenção e resistência. Por fim, nessas cartografias combativas, corpos em trânsito desafiam demarcações visíveis e invisíveis, criando cotidianos transformadores que desestabilizam os sistemas de governo, abrindo novas possibilidades de existência.

Referências

ANABUKI Luísa Nunes de C.; CARDOSO Lys Sobral (Org). Escravidão na interseccionalidade de gênero e raça: um enfrentamento necessário. Brasília: Ministério Público do Trabalho, 2023. Disponível em: <https://mpt.mp.br/pgt/publicacoes/doi/livros/escravidao-na-interseccionalidade-de-genero-e-raca/02_trabalho-escravo-contemporaneo-e-genero.pdf> Acesso em: 20/11/2025

BRAY, Mark. Antifa - O Manual Antifascista. São Paulo: Autonomia Literária, 2019.

BRUZZONE, M. Respatializing the domestic: gender, extensive domesticity, and activist kitchenspace in Mexican migration politics. Em: Cultural Geographies, 24(2), 247–263, 2017.

CADENA, Kenia Berenice O. La pulsión de vida de migrantes disidentes frente al sistema heteropatriarcal, capitalista y colonial. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 21. Buenos Aires: CLACSO, pp. 57-62, 2024.

CAROSIO, Alba. La invención del fantasma que impulsa la cruzada antiderechos. Em: Miradas y horizontes feministas. 1 ed. N°. 5. Buenos Aires: CLACSO, pp. 25-31, 2023.

CECCON Roger F. Sequestro e violência sexual contra migrantes na fronteira dos Estados Unidos. Em: Le Monde diplomatique Brasil, 2024. Disponível em: <https://diplomatique.org.br/sequestro-violencia-sexual-contra-migrantes-fronteira-estados-unidos/>Acesso em: 08/03/2026.

COCIÑA-CHOLAKY, Martina. Experiencias de mujeres migrantes en el sistema sanitario chileno: intersección de género, salud y migración. Em: Trans-fronteriza: género, salud y migración, N° 25. Buenos Aires: CLACSO, pp. 9-15, 2025.

CEFEMEA. Teocracia à brasileira. Em: OutrasPalavras. Disponível em: <https://outraspalavras.net/direita-assanhada/teocracia-brasileira> Acesso em: 14/03/2026.

CÓRDOVA Beatriz; MÁRQUEZ, Gianina. Chamas en Acción: empoderamiento de adolescentes refugiadas y migrantes desde una perspectiva feminista. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 21. Buenos Aires: CLACSO, pp. 76-83, 2024.

CrimethInc. Gaza meu amor: entendendo o genocídio na Palestina. Tradução de Edições Insurrectas, 2025.

CUENCA Sánchez (et al). Building sorority: Las Patronas, women who feed up hope for a less violent society. Em: Millcayac Revista Digital De Ciencias Sociales, 8(14), 137–164, 2021.

BULL, B; DAN B. 2025. The Rebirth of the Global South: Geopolitics, Imageries and Developmental Realities. Forum for Development Studies 52 (2): 195–214. doi:10.1080/08039410.2025.2490696. Acesso em: 24/11/2025.

DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Tradução de Luiz Orlandi e Roberto Machado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2018.

_______________. Lógica do sentido. Tradução de Luiz Roberto Salinas Fortes. São Paulo: Perspectiva, 2007.

_______________. Conversações. Tradução de Peter Pál Pelbart. Rio de Janeiro: Ed. 34, 2004.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 1.Tradução de Aurélio Guerra e Célia Pinto Costa. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995.

ELÍAS, Daniela A. Heridas y huellas: ingreso, crecimiento y arremetida neoconservadora en la política en Bolivia. Em: Miradas y horizontes feministas. 1 ed. N°. 5. Buenos Aires: CLACSO, pp. 59-64, 2023.

DOMINGUES, Joelza. E, surge o nome “América” para o novo continente. Em Ensinar História, s/d. Disponível em: <https://ensinarhistoria.com.br/linha-do-tempo/surge-o-nome-america-para-o-novo-continente/> Acesso em: 27/11/2025.

FERNÁNDEZ, Ana Lucía F.; LÓPEZ, Gustavo G. Mujeres migrantes, cuidados y reproducción de la vida en Costa Rica. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 20. Buenos Aires: CLACSO, pp. 28-33, 2024.

FOUCAULT, Michel. O problema dos refugiados é um presságio da grande migração do século XXI. Em: Ditos & Escritos IV; Repensar a política. Manoel Barros da Motta (org). Tradução: Ana Lúcia Paranhos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2013.

___________. Nascimento da biopolítica. Curso no Collége de France (1978 – 1979). Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

___________. Sobre a geografia. Em: MACHADO, Roberto (org.). Microfísica do poder. Tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, pp. 153-116, 1992.

GOLDSTEIN, Ariel. El trumpismo 2.0 y el neomacartismo global en la era Truth Social. Em: Estudios sobre Estados Unidos, V1, N° 13 Buenos Aires: CLACSO, pp. 20-25, 2025.

HARPER, D. Etymology of refugee. Online Etymology Dictionary, s/d. Disponível em: <https://www.etymonline.com/word/refugee> Acesso em: 09/03/2026.

HERNÁNDEZ-HERNÁNDEZ, Oscar M. Niñez migrante: entre la vulnerabilidad, los espectáculos y sacrificios de frontera. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 20. Buenos Aires: CLACSO, pp. 64-69, 2024.

IELA. Crianças em jaulas nos Estados Unidos. Em: Instituto de Estudos Latino-americanos. Santa Catarina: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 2018. Disponível em: <https://iela.ufsc.br/criancas-em-jaulas-nos-estados-unidos/> Acesso em: 09/03/2026.

IDE, Magdalena V. Desafíos feministas ante la oleada neoconservadora. Em: Miradas y horizontes feministas. 1 ed. N°. 5. Buenos Aires: CLACSO, pp. 32-39, 2023.

KOCHER, Austin. Want to understand immigration enforcement in 2026? Read these 5 reports. Em: The Journalist’s Resource, 2026. Disponível em: <https://journalistsresource.org/politics-and-government/immigration-enforcement-reports/> Acesso em: 07/03/2026.

MARESTONI, Matheus. Em nome da civilização: guerra social, colonização, extermínios e política moderna. Tese de doutorado em Ciências Sociais. São Paulo: PUC-SP, 2024. Disponível em: <https://tede.pucsp.br/handle/handle/41460> Acesso em: 23/03/2026.

MARIÑO, Linda U. La invisibilidad como silencio. La sordera burocrática y las niñas y adolescentes migrantes en Colombia. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 20. Buenos Aires: CLACSO, pp. 77-82, 2024.

MARTINEZ, Adriana. O design das formas políticas na governamentalidade neoliberal. São Paulo: Tese de doutorado em Ciências Sociais. São Paulo: PUC-SP, 2020. Disponível em: <https://repositorio.pucsp.br/handle/handle/23387> Acesso em: 19/03/2026.

________________. Mercosul e federalismo. Dissertação de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (PROLAM). São Paulo: USP, 1997.

MARTÍNEZ, Hugo A. Brasileros en Montevideo: la aventura migratoria en un mundo sobremoderno. Montevideo: Maestría en el Programa de Posgrado en Estudios Latinoamericanos Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación Universidad de la República.

MENESES, D. Con Mis Hijos No Te Metas: un estudio de discurso y poder en un grupo de Facebook peruano opuesto a la ‘ideología de género’. Em: Anthropologica, 37(42), 129–154, 2029.

MOUNK, Yascha. O povo contra a democracia: por que nossa liberdade corre perigo e como salvá-la. Tradução: Cássio de Arantes Leite e Débora Landsberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

NORMAN, Kelsey; MICINSK, Nicholas R. ICE immigration are shocking more Americans as US-Mexico border operations move North. Em: Backer Institute, 2026. Disponível em: <https://www.bakerinstitute.org/research/ice-immigration-tactics-are-shocking-more-americans-us-mexico-border-operations-move-north> Acesso em: 07/03/2026

NU-SOL. Venezuela: drogas, tiranias e seus liberais. Disponível em: <https://www.nu-sol.org/blog/venezuela-drogas-tiranias-e-seus-liberais/> Acesso em: 13/01/2026.

PASSETTI, Edson (et al). Ecopolítica. São Paulo: Editora Hedra Ltda, 2019.

PEÑA, Vanessa G. La construcción de feminismos migrantes en Chile. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 21. Buenos Aires: CLACSO, pp. 8-12, 2024.

PÉREZ Vera, A. Gisela Zaremberg y Debora Rezende de Almeida. Feminismos en América Latina. Redes anidadas por el derecho al aborto en México y Brasil. Cambridge University Press, 2024.Em: Revista Perfiles Latinoamericanos, 33(66), 257-266, 2025. Disponível em: <https://doi.org/10.18504/pl3366-012-2025> Acesso em: 14/03/2026.

PORTO-GONÇALVES, Carlos W. Abya Yala. São Paulo: Edições PROLAM, s/d. Disponível em: <https://sites.usp.br/prolam/abya-yala/> Acesso em: 18/03/2026.

____________________________. Abya Yala. Santa Catarina: Instituto de Estudos Latino-Americanos – UFSC, s/d. Disponível em: <https://iela.ufsc.br/projeto/povos-originarios/abya-yala/> Acesso em: 18/03/2026.

RAMÍREZ, Karla Steffany R. La carga invisible: género, salud mental y emocional de las mujeres migrantes. Em: Trans-fronteriza: género, salud y migración, N° 25. Buenos Aires: CLACSO, pp. 35-42, 2025.

REYNOSO, Valerie. The colonial and roots legacy of the Latinx/Hispanic labels: a historical analysis. Em: Hampton, 2018. Disponível em: <https://www.hamptonthink.org/read/the-colonial-roots-and-legacy-of-the-latinxhispanic-labels-a-historical-analysis#:~:text=LatinAmerica> Acesso em: 27/11/2025.

RIPOSSIO, Ramiro N. P. Más allá de las fronteras. Migrantes LGBT en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires entre desafíos, desilusiones y esperanzas. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 21. Buenos Aires: CLACSO, pp. 63-69, 2024.

RUIZ-ESTRAMIL, Ivana B. Violencia e inseguridad en las mujeres refugiadas. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 20. Buenos Aires: CLACSO, pp. 24-26, 2024.

RUGGERI, Dani. La agenda antifeminista de la extrema derecha latinoamericana. Em: Tricontinental, Dossiê n° 98, 2026. Disponível em: <https://thetricontinental.org/es/dossier-agenda-derecha-contra-mujeres/> Acesso em: 14/03/2026.

SALMUNI, Florencia. El trabajo de cuidado como forma de (re) existencia migrante en la ciudad de São Paulo. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 21. Buenos Aires: CLACSO, pp. 46-52, 2024.

SIMI, Maria Acqua. Doña Leo, la ‘maman des migrants. Em: Comunione e Liberazione, 2025. Disponível em: <https://www.clonline.org/fr/actualite/articles/leonila-vazquez-las-patronas-fr> Acesso em: 07/03/2026.

SUZUKI, Natália (et al). Repórter brasil dossiê escravo, nem pensar! - Trabalho escravo e migração internacional. Em: Repórter Brasil. São Paulo, 2024. Disponível em: <https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/10/dossie_trabalho_escravo_e_migracao_internacional-10.pdf> Acesso em: 07/03/2026.

TODOROV, Tzvetan. Os inimigos íntimos da democracia. Tradução de Joana Angélica d’Ávila Melo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

TORRES, Raquel G. Conservadurismo(s) y backlash contra las mujeres. Em: Miradas y horizontes feministas. N°. 5. Buenos Aires: CLACSO, pp. 8-16, 2023.

VARELA-HUERTA, Amarela; PEDONE, Claudia. Migrar, atorarse, permanecer y reexistir en familia por los corredores migratorios. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 20. Buenos Aires: CLACSO, pp. 49-56, 2024.

VARGAS, María José M. Una migración como un trayecto de subjetivación y como práctica de activismo epistemológico. Em: Trans-fronteriza: migraciones y feminismos, N° 20. Buenos Aires: CLACSO, pp. 57-63, 2024.

WILKE, Helena C. B. Bruno. Política e PNUD: resiliência, desenvolvimento humano e vulnerabilidades. Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais. São Paulo: PUC-SP, 2017.

Downloads

Publicado

2026-06-30